Curriculum Vitae
Perfil Profile
Livros Books
Artigos Articles
Textos Reprints
Orientações Advisings
Bancas Commitees
Referências Mentions
Homenagens Honours
Galeria Gallery
Conexões Links
Referências > Midiáticas

O militante do jornalismo brasileiro
Jornal da USP - Ano XIX - nº 710

Formador de gerações de jornalistas, José Marques de Melo foi homenageado em evento realizado no MAC, que lembrou a longa carreira do professor-fundador da ECA

Se não fosse esse alagoano de Palmeira dos Índios, a história do jornalismo brasileiro com certeza não seria a mesma. Professor-fundador, em 1966, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, José Marques de Melo formou várias gerações de jornalistas, pesquisadores e professores. Foi também responsável pela implantação do Departamento de Jornalismo e Editoração, unidade que dirigiu durante vários anos até ser impedido pelo regime militar de exercer a docência em universidades públicas brasileiras. Em 1979, foi anistiado e voltou para a ECA sendo diretor de 1989 à 1993.

Toda essa história de determinação e idealismo foi contada pelos professores e alunos que acompanham o dia-a-dia de Marques de Melo, em evento realizado no dia 29 de novembro no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP. A homenagem encerra o ciclo de conferências "Os Caminhos Cruzados entre o Jornalismo, as Ciências e as Tecnologias", promovido pelo Grupo Pensamento Jornalístico Brasileiro da ECA e MAC. "Eu estou me sentindo como HitchcocK quando via suas películas. Um pouco estranho, mas emocionado", disse Zé Marques, como é chamado entre os amigos. "Fiquei feliz por participar desse programa que homenageou os grandes nomes da história do jornalismo brasileiro, como Jair Borin, Walter Sampaio e Cremilda Medina, além de trazer os depoimentos de jornalistas, fotógrafos e escritores."

Mestre

O professor ouviu os depoimentos dos amigos da ECA: "Cheguei em São Paulo em dezembro de 1970. Era professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e vim porque fiquei sabendo da abertura do curso de pós-graduação na ECA", lembrou a professora Cremilda Medina. "Fui conversar com o professor José Marques de Melo e ele me convidou para ajudar a montar o curso de Editoração. Entrei na USP no mês seguinte, porém, para ensinar Jornalismo Comparado. Devo ao carinho de Zé Marques pelos migrados e migrantes toda a minha trajetória em São Paulo e na USP. Sua presença é importante para sacudir a nossa angústia, nos dar ânimo para superar as dificuldades atuais e sair firme em busca do futuro.”

O professor José Coelho Sobrinho destacou: "Procurei e procuro levar avante o ideal de Zé Marques de formar pessoas conscientes de sua realidade social." Para o professor José Luiz Proença, também da ECA, Marques de Melo foi o responsável por mostrar o jornalismo como uma atividade da ciência.

Já a diretora do MAC, professora Elza Ajzenberg, saudou o homenageado lembrando as relações entre arte e jornalismo, "imprescindíveis um para o outro". "Tive o prazer de acompanhar a trajetória de Marques de Melo. A ECA ganhou e cresceu muito com ele", acrescentou. "O idealismo de Zé Marques é essencial para todos nós. Há algo pairando no ar da ECA que clama pela sua presença", disse o professor Boris Kossoy. "Queremos que, apesar de todas as suas muitas atividades, ele continue por perto."

"Eu não poderia deixar de dar um abraço no meu mestre", disse a jornalista Maria Leia Aguiar, que vive e trabalha no Rio de Janeiro. Maria Leia foi monitora da turma de 1968, na ECA, a primeira do Departamento de Jornalismo. "Eu tinha que vir para agradecer o caminho que ele me mostrou na vida e na profissão. O professor sempre foi a minha referência para uma postura ética, social e humana", disse. "Ele é um personagem da moderna história da universidade brasileira, por sua militância acadêmica em prol do avanço dos estudos das comunicações que marcaram o Brasil nestes últimos 30 anos", afirmou a professora Maria do Socorro Nóbrega.

Postura ética

"Se o jornalista não for honesto, humilde e persistente, pode fazer da profissão uma escada para o sucesso fácil ou decidir pela renúncia precoce. Sertanejo calejado, agüentei firme os primeiros dissabores. Pressões, ameaças, ironias, achincalhes." Marques de Melo tem uma longa história para contar. Uma história pública partilhada com os estudantes e professores. "Comecei a escrever artigos e editorar jornais estudantis em Maceió. Mas, afoito e ambicioso, eu queria dar um passo adiante. E me propus a atuar como correspondente do interior, escrevendo matérias para a Gazeta de Alagoas sobre os acontecimentos da minha comunidade."

Marques de Melo decidiu que "não queria ser jornalista pela metade". Atuou no Jornal do Commercio e Última Hora - Nordeste, A Gazeta e O São Paulo e Revista de Cultura Vozes. Colaborou ainda como articulista dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Correio Braziliense, Zero Hora, Diário do Grande ABC, Diário de Pernambuco e A Tarde.

Iniciou a carreira acadêmica em 1966, como assistente do professor Luiz Beltrão, no Instituto de Ciências da Informação da Universidade Católica de Pernambuco (Recife), transferindo-se em seguida para São Paulo. Nessa ocasião, foi convidado por Octávio da Costa Eduardo para trabalhar como diretor de pesquisas do Instituto de Estudos Sociais e Econômicos (Inese), onde começou a ganhar reputação como pesquisador da comunicação. Fundou, em 1967, o Centro de Pesquisas da Comunicação Social, mantido pela Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero, então vinculada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Primeiro doutor

Primeiro doutor em Jornalismo titulado por universidade brasileira (1973), foi agraciado com bolsa de pós-doutorado da Fapesp para realizar estudos avançados de comunicação nos Estados Unidos, durante o ano acadêmico de 1973-1974. Em 1988, foi bolsista do CNPq na Universidade Complutense de Madri, na Espanha. Em 1992 foi nomeado Catedrático Unesco de Comunicação da Universidade Autônoma de Barcelona, também na Espanha.

A convite do então reitor da Unicamp Carlos Vogt, co-fundou em 1994 o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo daquela universidade. Dirigiu a Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) entre 1997 e 2000. Nessa mesma entidade já havia atuado durante o período em que esteve afastado de sua funções docentes na USP.


José Marques de Melo aposentou-se da USP em 1993, mas, como contam os seus amigos da ECA, "sempre ficou por perto". Em dezembro de 2001, recebeu o título de Professor Emérito. Atualmente, Marques de Melo é docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Umesp e titular da Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional. Desde o ano passado, voltou a colaborar com a ECA em diversos projetos. Ele Dirige o Portal do Jornalismo Brasileiro, um espaço digital produzido pelo Grupo de Estudos sobre o Pensamento Jornalístico Brasileiro.

Homenageado pela Universidade Católica de Pernambuco, durante as comemorações dos 50 anos daquela instituição, teve sua biografia intelectual registrada no livro Grandes nomes da comunicação - José Marques de Melo, organizado por Maria Cristina Gobbi, lançado em 2001.

José Marques de Melo é autor de vários livros, dos quais alguns dos mais recentes são Matrizes das idéias comunicacionais latino-americanas: marxismo e cristianismo (2002), Contribuições brasileiras ao pensamento comunicacional latino-americano (2001) e Memórias das ciências da comunicação no Brasil (1997).

 

topo   |   voltar
marquesdemelo.pro.br - Copyright © 2005 Todos os direitos reservados
VISITAS / VISITORS Website Counter