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Rede Alcar escreve a história do jornalismo
Jornal da Puc - Número 112 Maio/Junho de 2002

O Brasil é um dos países que possuem o maior número de jornais centenários no mundo. Dois deles, o Diário de Pernambuco e o Jornal do Commercio, são os mais antigos da América Latina, circulando ininterruptamente desde a década de 1820. Em 2008, comemoram-se 200 anos da imprensa no país e 100 anos da fundação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Esses são apenas alguns exemplos de uma história que, apesar de rica, ainda não foi escrita. Para resgatá-la, foi criada a Rede Alfredo de Carvalho.

A Rede Alcar, que tem como motores a ABI e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), não pretende ser uma entidade fixa ou engessada. Pelo contrário, a idéia consiste na criação de círculos concêntricos e autônomos, que se reúnem periodicamente, para promover o intercâmbio das informações pesquisadas. Outro grande parceiro na empreitada é a revista Imprensa, que, há dois anos, publica uma série recontando capítulos da história da imprensa.

No dia 4 de abril, o idealizador da Rede e professor titular da Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação, José Marques de Melo, a Presidente do Conselho Administrativo da ABI e professora de Jornalismo da PUC, Ana Arruda Callado, e a funcionária do Ministério da Cultura e professora de Sociologia da PUC, Mirane Albuquerque, entre outros, estiveram na sede da ABI relatando a importância e os progressos da Rede Alcar. A idéia de confluência de pensamentos é um dos pilares em questão. Melo é a favor da contribuição coletiva. Segundo ele, a Rede Alcar é "muito menos uma instituição e muito mais um movimento, um mutirão intelectual".

Aos poucos, instituições e pesquisadores vão se unindo ao propósito da Rede. A professora Ana Arruda está intermediando a adesão da Academia Brasileira de Letras (ABL) ao projeto. Ela lembrou, na apresentação, que a ABL foi fundada por um grande jornalista, Machado de Assis, e sempre teve grandes jornalistas em seus quadros. "A história de seus acadêmicos viria enriquecer muito as pesquisas sobre os 200 anos da imprensa", acrescentou. Além disso, tanto a Rede quanto a ABL "têm como missão valorizar e proteger a língua escrita", disse.

Melo confirmou ter a pretensão de transformar a Rede Alcar em uma organização não-governamental (ONG) e buscar patrocínio, "mas somente quando estiver mais solidificada, para não ser `comida´ por grandes empresas", afirmou.

Mirane integra uma equipe do Ministério da Cultura que tem feito levantamentos bibliográficos e organizado os encontros da Rede. A professora destacou, no debate, que um dos objetivos do projeto é "contribuir para que os brasileiros conheçam melhor uma parte significativa da sua própria história e passem a dar a importância devida à memória nacional através da preservação das coleções de jornais". O professor de História da Imprensa no Brasil, Marcos Dantas, compartilha da posição de Mirane: "Fazendo a história da imprensa temos condição de fazer a história do Brasil".

Dantas lembra, ainda, que o interesse por essa questão começou a surgir há cerca de cinco anos, apesar de sua importância ainda não estar suficientemente refletida na estrutura curricular universitária. "O curso de Comunicação deveria valorizar mais o estudo da história da imprensa", analisa.

Maria Inês Gurjão, professora da mesma cadeira, faz coro com Dantas e explica que a memória do Brasil é não ter memória. Para construir esta história, é preciso resgatar seu contexto: "É uma tecitura que deve ser feita com fios muito bem tramados, para que nada destoe no final da tapeçaria", compara Maria Inês.

A professora mostra-se favorável a uma aliança entre a PUC e a Rede Alcar. "Os alunos têm um papel fundamental neste tripé que a universidade deve cumprir: ser um centro de produção, reprodução e socialização do saber", diz. Ana Arruda concorda e afirma que uma grande contribuição da PUC seria incentivar monografias de final de curso de Jornalismo sobre os aspectos da história da imprensa ainda não estudados. "É isto a Rede: adere quem acha que pesquisar o passado é importante para a crítica do presente e para preparar o futuro", conclui Ana.

 

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