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HISTÓRIA
DA IMPRENSA
Os nomes e os feitos
Imprensa brasileira – personagens que fizeram história,
de José Marques de Melo (org.), 221 pp., Imprensa Oficial
do Estado de São Paulo e Universidade Metodista de
São Paulo, São Paulo, 2005; R$ 62
Fonte:Observatório
da Imprensa, 13/09/2005
Este
livro é o primeiro volume da coleção
que pretende mostrar a imprensa brasileira e os personagens
que nela fizeram história, como Carlos Drummond de
Andrade, Rui Barbosa, Assis Chateaubriand e Gilberto Freyre.
A edição é da Imprensa Oficial do Estado
de São Paulo e da Universidade Metodista de São
Paulo.
O
primeiro volume traz textos de Hipólito José
da Costa, Manoel Antonio da Silva Serva, Cipriano Barata,
Adolpho Emile Bois Garin, Jerônimo Coelho, João
Francisco Lisboa, Tavares Bastos, José Carlos Rodrigues,
Rui Barbosa, Gustavo de Lacerda, Roquete Pinto, Assis Chateaubriand,
Barbosa Lima Sobrinho e Cásper Líbero.
Como
observa o presidente da Imprensa Oficial do Estado de São
Paulo, Hubert Alquéres, as informações,
análises, crônicas, editoriais, artigos de opinião
e outros textos que chegam aos leitores têm no passado
a liderança e a ousadia dos empreendedores que lançam
e mantêm os veículos de todos esses gêneros:
"Essa obra coletiva oferece uma introdução
acessível e cativante à trajetória diversificada
da mídia brasileira e seus construtores. Concentrando-se
nos perfis biográficos de alguns realizadores da imprensa
nacional, amplia o conhecimento dessa história já
longa, mas ainda pouco pesquisada e difundida".
Entre
os destaques do título, por exemplo, há um capitulo
sobre o escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade mostrando
as faces de poeta e de cronista de jornais e revistas, sintetizando
os dados biográficos, a bibliografia de suas coletâneas
de crônicas e reproduzindo dois textos saborosos do
autor.
No
capitulo dedicado a Roquete Pinto, estão registros
sobre sua atuação no rádio e o interesse
pela educação brasileira, incluindo um texto
seu sobre a missão educativa do rádio e recordações
das filhas Beatriz e Carmen Lúcia. De Assis Chateubriand,
o pioneirismo na inauguração da TV em 18 e setembro
de 1950, seu envolvimento político e a famosa cadeia
dos Diários Associados.
A
série foi idealizada pela Rede Alfredo de Carvalho
(formada em 2000 para homenagear o historiador pernambucano
Alfredo de Carvalho, que no final do século 19 começou
a pesquisar e a inventariar o panorama dos jornais e revistas
publicados no país) e um dos objetivos é motivar
jovens pesquisadores para a retomada das hipóteses
e roteiros esboçados até aqui para ampliar e
servir de parâmetro para os novos conteúdos a
serem difundidos pela mídia nacional no século
21.
José
Marques de Melo,
organizador da obra e professor emérito da USP e diretor
da Cátedra Unesco de Comunicação da Universidade
Metodista, explica que há quase 100 anos começou
uma iniciativa emblemática para resgatar a memória
da nossa imprensa, com Alfredo de Carvalho. A idéia
de Alfredo, acolhida e endossada pelo Instituto Histórico
e Geográfico Brasileiro, transformou-se em um projeto
coletivo, respaldado pelo governo nacional, gerando uma exposição
jornalística em 1908, aberta ao público em vários
estados, além de dois volumes da Revista do HIGB.
O
esforço de resgatar essa história é ressaltado
por Marques de Melo: "Não
fosse a ação preservacionista da Biblioteca
Nacional e de algumas bibliotecas estaduais e municipais,
aliada à dedicação de colecionadores
particulares, esse itinerário da imprensa no século
20 teria sido apagado". Ele elogia, ainda, a iniciativa
da revista Imprensa que franqueou oito páginas da sua
revista mensal para o projeto destinado a biografar personalidades
que se destacaram na historia da mídia brasileira.
Prefácio
José
Marques de Melo
Há
quase 100 anos, o Brasil testemunhava iniciativa emblemática
no sentido de resgatar a memória da nossa imprensa.
O
historiador pernambucano Alfredo de Carvalho, que, no anoitecer
do século XIX, havia feito pesquisas essenciais para
desvendar enigmas persistentes no itinerário da mídia
impressa brasileira, propõe-se, na alvorada do século
XX, uma nova e difícil empreitada. Ele inspira um mutirão
intelectual destinado a inventariar o panorama dos jornais
e revistas publicados no país, durante o primeiro século
da sua vigência em território nacional.
A
idéia de Alfredo de Carvalho, imediatamente acolhida
e endossada por Max Fleuiss, então secretário
perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro (IHGB) [a comunicação desse projeto
foi efetuada aos sócios do IHGB pelo secretário
perpétuo em sessão realizada na 13a. sessão
ordinária da instituição, no dia 29 de
julho de 1907. FLEUISS, Max – Apresentação,
Revista do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro, tomo consagrado à Exposição
Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica
no Brasil, Tomo I, Rio de Janeiro, 1908, p. V-XIII], transforma-se
em projeto coletivo, respaldado pelo governo nacional, gerando
uma exposição jornalística, aberta ao
público, na capital republicana e em outros estados
da federação brasileira em 1908.
Como
resultado desse esforço incomensurável, do qual
participaram ilustres historiadores e hemerógrafos
de várias províncias, são editados dois
volumes da Revista do IHGB, reproduzindo os catálogos
elaborados pelos pesquisadores estaduais das regiões
norte-nordeste, bem como o ensaio monográfico escrito
magnificamente por Alfredo de Carvalho [CARVALHO, Alfredo
de – Gênese e Progressos da Imprensa Periódica
no Brasil, Revista do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro, Tomo consagrado à Exposição
Comemorativa do Primeiro Centenário da Imprensa Periódica
no Brasil, Tomo I, Rio de Janeiro, 1908, p.1-89].
Infelizmente
os catálogos referentes às regiões situadas
ao sul do território nacional, tendo como divisor geopolítico
a Bahia, desapareceram em função do incêndio
que, naquela ocasião, destruiu preciosos originais
depositados nos prelos da Imprensa Nacional. Esse episódio
sinaliza a maldição que se projetaria sobre
a memória da nossa imprensa, penalizada pela incúria
institucional e desprezada pelas nossas vanguardas intelectuais.
Não
fosse a ação preservacionista da Biblioteca
Nacional e de algumas Bibliotecas Estaduais/Municipais ou
a dedicação laboriosa de alguns colecionadores
particulares, o itinerário percorrido pela nossa imprensa
no século XX teria sido apagado definitivamente da
memória brasileira. Todo esse acervo foi mapeado e
em seguida microfilmado, graças à cruzada documental
liderada quixotescamente por Esther Bertoletti [BERTOLETTI,
Esther – Nota Prévia, Periódicos Brasileiros
em Microforma, Catálogo Coletivo, Rio de Janeiro, Biblioteca
Nacional, 1985, p. 13-16], que acalenta o sonho de ver instalado
em nosso país uma Hemeroteca Nacional, a exemplo do
que ocorre em outros países europeus ou americanos.
Esse
descaso em relação à memória da
imprensa traduz em certo sentido a atitude pátria referente
à própria memória nacional, principalmente
no âmbito da cultura não erudita, condenando
ao esquecimento as instituições, os fatos e
os personagens que também fizeram História.
Tanto assim que as novas gerações de profissionais
midiáticos – jornalistas, publicitários,
radialistas ou teledifusores – formados pelas nossas
universidades possuem escasso conhecimento sobre a trajetória
midiática brasileira.
Isso
os transforma em reféns involuntários dos gêneros
e formatos alienígenas, reproduzindo contInuamente
modelos oriundos das matrizes geradoras da cultura pós-moderna,
quase sempre descolados da nossa realidade. Trata-se de fenômeno
determinado pela ignorância em relação
aos padrões midiáticos já testados em
território nacional, ausentes das lições
que tiveram dos seus mestres, tanto na academia quanto na
indústria.
Foi
precisamente com a intenção de neutralizar essa
lacuna cognitiva que tomamos a iniciativa de encetar um novo
movimento cultural, buscando ao mesmo tempo preservar a memória
da imprensa e construir a história midiática
nacional. Nossa meta é desenvolver ações
voluntárias e independentes, embora metodologicamente
articuladas, no sentido de completar o inventário desencadeado
há um século e ao mesmo tempo tecer a malha
que dá sentido ao complexo midiático brasileiro
[MARQUES DE MELO, José – O pragmatismo utópico
da Rede Alfredo de Carvalho, In: PONTES TAVARES, Luis Guilherme,
org. – Rumo ao Bicentenário da Imprensa Brasileira,
Salvador, NEHIB / Editora da UFBA, 2002, p. 9-32].
Nada
mais justo do que homenagear o precursor desse mutirão,
atribuindo o nome de Alfredo de Carvalho à Rede nacional
que se constitui no ano 2000, tendo a adesão inicial
da revista Imprensa.
O
descortino que vem caracterizando a trajetória jornalística
de Sinval de Itacarambi Leão e a imensa generosidade
que o qualifica como ser humano singular o motivaram a acolher
a idéia que lhe apresentei na ocasião, franqueando
8 páginas da sua revista mensal para o desenvolvimento
do projeto destinado a biografar personalidades que se destacaram
na História da mídia brasileira. [No editorial
em que apresenta a série aos leitores da revista, ele
diz textualmente: "Esta edição n. 149 de
Imprensa tem (...) um caderno de oito páginas sobre
o novo dia da imprensa... (...) O prof. José Marques
de Melo conta-nos (...) a história de Hipólito
da Costa. (...) A partir deste caderno, surgiu o Projeto 200
anos da imprensa brasileira, 1808-2008, pelo qual a revista
Imprensa vai preparar, com textos resgatados e novos, uma
expectativa proveitosas destas futuras comemorações".]
Tais
encartes foram sendo produzidos regularmente, com a participação
voluntária de pesquisadores situados em diferentes
quadrantes do território nacional, identificando figuras
emblemáticas cujo desempenho profissional, empresarial
ou cívico pode servir de parâmetro às
novas gerações que vão diligenciar os
conteúdos a serem difundidos pela mídia nacional
no século XXI.
Os
colaboradores deste projeto conformaram o núcleo seminal
da Rede Alfredo de Carvalho, que começou a institucionalizar-se
no ano seguinte, em cerimônia realizada na Sala Barbosa
Lima Sobrinho da Associação Brasileira de Imprensa
– ABI, na cidade do Rio de Janeiro. Desde então,
a Rede Alcar vem se ampliando, com a criação
de núcleos regionais, bem como a realização
de encontros nacionais preparatórios para o Congresso
Brasileiro de História Midiática previsto para
2008, destinado a celebrar o bicentenário da implantação
da nossa imprensa.
A
adesão de instituições publicamente legitimadas,
além da ABI, como o Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro – IHGB -, a Academia Brasileira de Letras
– ABL, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares
da Comunicação – INTERCOM, bem como as
Cátedras UNESCO de Comunicação (Universidade
Metodista de São Paulo) e FENAJ de Jornalismo (Universidade
Federal de Santa Catarina), significa o fortalecimento da
Rede Alcar e sua projeção em todo o território
nacional.
Esse
reconhecimento institucional completa-se, agora, com a participação
da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, que assume
o compromisso de editar os volumes da série "Imprensa
Brasileira: Personagens que fizeram História".
Desta maneira, os perfis biográficos originalmente
publicados pela revista Imprensa, desde junho do ano 2000
até outubro de 2003, enfeixados nos dois primeiros
volumes da série, ganham difusão ampla nas universidades
brasileiras, bem como nas empresas midiáticas e nos
centros culturais de todo o país.
É
importante ressalvar que esta série idealizada pela
Rede Alfredo de Carvalho foi conscientemente prevista como
ação de divulgação científica,
destinada a difundir perfis biográficos e sumarizar
idéias que marcaram a trajetória das indústrias
midiáticas brasileiras, indicando fontes que podem
servir de referência para os que desejam aprofundar
conhecimentos.
Nela
está implícita também a ambição
de motivar jovens pesquisadores para a retomada as hipóteses
e roteiros aqui esboçados, dando continuidade ao plano
fundamental. Ou seja, construir a História Midiática
Brasileira, resgatando os dois séculos já palmilhados
e ao mesmo iluminando as ações a serem empreendidas
nesta conjuntura em que alimentamos a utopia de fincar a bandeira
nacional no novo mapa do mundo.
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