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Quem
pergunta é a fonte
Fonte:
Observatório da Imprensa
Ano 10
nº de 26/07/2005 ISSN 1519-7670
Prefácio
de Imprensa na berlinda – a fonte pergunta, de Norma
S. Alcântara, Manual Carlos Chaparro e Wilson Garcia,
416 pp., Editora Celebris, São Paulo, 2005; título
e intertítulo do OI
Numa conjuntura em que segmentos da universidade torcem o
nariz para as evidências empíricas, privilegiando
a reflexão abstrata sobre temas e problemas de exclusivo
interesse dos guetos acadêmicos, saudamos com alegria
e esperança este livro escrito por três competentes
profissionais, cuja intenção é deslindar
o cenário jornalístico brasileiro, contribuindo
para a melhoria da produção noticiosa como alavanca
de fortalecimento da democracia.
Durante
muito tempo a pesquisa sobre os fenômenos jornalísticos
teve caráter eminentemente histórico, sendo
realizada a posteriori, ou seja, documentando e interpretando
fatos ocorridos no passado, com a finalidade de iluminar o
presente. Mais recentemente ela enveredou por novos caminhos,
tornando-se factual, seletiva e acurada, tratando de registrar
criticamente os acontecimentos durante a sua própria
evolução, pensando no futuro. Dessa maneira,
converteu-se em instrumento indispensável para a formação
das novas gerações que pretendem se lançar
na arena informativa, oferecendo análises e perspectivas
sincrônicas das rotinas profissionais, o que tem contribuído
para aperfeiçoá-las ética e tecnicamente.
No
entanto, a preferência dos estudiosos da área
tem recaído sobre eixos temáticos como a linguagem,
o conteúdo, as mutações tecnológicas
ou o impacto social das notícias. São raras
as pesquisas que focalizam os sujeitos noticiosos, mesmo assim
concentradas na figura do próprio jornalista, ora celebrado
como herói, ora punido como vilão da cena contemporânea.
A
originalidade do inventário contido nesta obra reside
na interlocução provocada pelos autores entre
os jornalistas e suas fontes. Ela retira da sombra os provedores
usuais das informações que geram ou dão
substância às notícias. Mas ao mesmo tempo
expõe abertamente os produtores jornalísticos,
nem sempre disponíveis para o diálogo ou inapetentes
para revelar métodos de trabalho e pontos de vista
sobre a profissão.
Retaguarda
midiática
Trata-se
de um livro duplamente valioso. Os cidadãos que consomem
notícias encontrarão aqui explicações
suficientes para enigmas que cultivam ou para curiosidades
que nutrem, tendo em vista a amplitude dos questionamentos
feitos pelas fontes aos jornalistas. Por sua vez, os jovens
aspirantes ao estrelato jornalístico poderão
dimensionar facetas profissionais que dificilmente estão
escancaradas nos textos didáticos ou transparentes
nos manuais de redação.
Resulta
deste caleidoscópio, estrategicamente tecido por Norma
Alcântara, metodologicamente engendrado por Wilson Garcia
e teoricamente embasado por Manuel Carlos Chaparro, um manancial
de hipóteses a serem testadas no campo pela legião
de jovens que se engajam nos projetos de iniciação
científica dos nossos cursos de jornalismo ou nos programas
de mestrado e doutorado que abrigam estudos midiáticos.
Inúmeras
perguntas feitas pelas fontes são respondidas laconicamente
pelos jornalistas ou tangenciadas de forma sutil pela simples
e cristalina razão de que o conhecimento sistematizado
sobre as práticas jornalísticas brasileiras
é residual, conjuntural, descontínuo. Fazer
generalizações sobre as rotinas profissionais
torna-se temerário, para não dizer perigoso.
Avultam,
contudo, neste celeiro de idéias e depoimentos, algumas
anotações pontuais feitas por figuras emblemáticas
como Hélio Fernandes, Boris Casoy, Fernando Mitre,
Clóvis Rossi, Dora Kramer ou Heródoto Barbeiro,
que demandariam explorações investigativas ou
reflexões éticas capazes de explicitar as encruzilhadas
que estão angustiando profissionais, empresários,
educadores e cidadãos comuns neste início de
milênio.
Independentemente
da sua utilidade como estímulo para fazer avançar
o conhecimento crítico sobre o jornalismo brasileiro,
este volume representa sem dúvida alguma uma fonte
de prazer intelectual para os leitores de jornais, radiouvintes,
telespectadores ou internautas. Eles terão oportunidade
de ler respostas para questões que todos nós
nos fazemos cotidianamente como usuários da mídia.
E conhecerão também a ótica daqueles
que atuam na retaguarda midiática, "plantando"
notícias ou "colhendo" frutos, ora amargos
(quando se consideram filtrados pelos repórteres),
ora saborosos (quando emplacam versões assimiladas
pelos editores).
Alguns
ficarão surpresos ao perceber declarações
telegráficas, em estilo típico dos que fogem
pela tangente ou sintonizadas com o bloco dos "nem sim,
nem não, antes pelo contrário". Felizmente
estas são exceções. A maioria mostrou-se
objetiva, direta, coloquial, convincente. Vale a pena conferir!
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